Haddad diz que impeachment foi comprado e que Congresso Nacional é ‘uma vergonha’

Ex-prefeito de São Paulo também afirmou que Temer e Aécio “não pensaram no Brasil” ao liderar o golpe do impeachment: “Pensaram em tomar o poder”

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“Vão tirar o maior líder operário da disputa por causa de uma suposição?”, diz Haddad sobre condenação de Lula (Lula Marques/AGPT)

RBA

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou nesta sexta-feira (11), com base em conteúdo das delações da JBS, que os votos pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff foram comprados com dinheiro de corrupção. “Os votos pelo impeachment foram comprados. O Congresso Nacional é uma vergonha. Todos receberam dinheiro, para votar assim ou assado. É só deixar as investigações avançarem, é só o governo não abafar a Lava Jato, como está fazendo”, disse Haddad.

Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, ele também atacou o deputado cassado Eduardo Cunha – “o maior bandido da história” – de também ter “comprado” a sua eleição à presidência da Câmara, em 2015, e disparou contra Michel Temer e Aécio Neves, por terem liderado os esforços pela derrubada da presidenta.

Segundo Haddad, a crise atual é fruto alguns erros cometidos na gestão Dilma – como o represamento das tarifas públicas – que foram exacerbados pelo comportamento golpista do Aécio e do Temer. “Se não tivessem feito o que fizeram, o Brasil não passaria pelo que passa agora. Não pensaram no país, pensaram em tomar o poder”, afirmou o ex-prefeito.

Para o ex-prefeito, nas eleições de 2018, estarão em disputa dois projetos políticos: o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que Haddad espera que ele possa representar pessoalmente –, e do atual presidente Michel Temer – a ser representado pelo prefeito de São Paulo, João Doria, ou pelo governador paulista, Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. “Alguém vai defender um projeto que deu certo, e outro vai defender esse projeto que dizem que vai dar certo, mas que até agora tem 5% de aprovação.”

Sobre a possibilidade de compor eventual chapa com Ciro Gomes (PDT), Haddad diz que não é o momento de pensar uma alternativa a Lula, até que todos os recursos contra a condenação do juiz Sérgio Moro tenham sido julgados nas instâncias superiores. “Vão tirar o maior líder operário da disputa por causa de uma suposição?”, questionou o prefeito, sobre as frágeis alegações de que o ex-presidente seria proprietário de um apartamento em Guarujá, litoral paulista, fruto de propina de uma empreiteira.

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