Rússia bloqueia na ONU resolução de cessar-fogo na Síria e chama proposta de ‘populista’

Embaixador russo deixou claro que Moscou seria contra texto que, por conta da oposição do país, nem chegou a ser votado no plenário do Conselho de Segurança

Plenário do Conselho de Segurança na ONU: Rússia bloqueou texto sobre cessar-fogo na Síria

Plenário do Conselho de Segurança na ONU: Rússia bloqueou texto sobre cessar-fogo na Síria

Opera Mundi

As autoridades da Rússia se pronunciaram nesta quinta-feira (22/02) contra a resolução proposta no Conselho de Segurança da ONU que prevê uma trégua de 30 dias na Síria – a medida era apoiada pelos Estados Unidos.

Durante a reunião, o embaixador russo nas Nações Unidas, Vasyl Nebenzia, deixou claro que o governo de Vladimir Putin vetaria o texto se ele fosse submetido à votação como queriam seus impulsores, Suécia e Kuwait. Diante do impasse, não houve votação.

“Os patrocinadores sabem perfeitamente que não há acordo [sobre a resolução]”, disse Nebenzia, insistindo que não recebeu explicações sobre as “garantias” de que a trégua seria respeitada.

Para ele, o cessar-fogo é mais uma medida “populista” e “afastada da realidade”. O embaixador russo ainda defendeu a ofensiva governamental síria sobre Ghouta Oriental, dadas as ações de grupos jihadistas como a Frente Al Nusra.

O número de civis mortos nos bombardeios governamentais no Ghouta Oriental, perto de Damasco, aumentou para cerca de 400 desde o último domingo (18/02), revelou o Observatório Nacional dos Direitos Humanos na Síria, afirmando que entre as vítimas há pelo menos 94 menores, incluindo crianças e adolescentes. De acordo com a ONG, 21 civis foram mortos nos bombardeios desta quinta, sendo 13 deles na cidade de Duma, a cerca de 15 quilômetros da capital.

Enquanto isso, 13 outros civis, incluindo três crianças, morreram em novos bombardeios pelas forças do governo sírio na região de Ghouta, controlada por grupos rebeldes. As vítimas desta quinta-feira se somam às 346 mortes e 878 feridos registrados pela ONU nas últimas duas semanas, uma vez que as forças governamentais intensificaram os bombardeios aéreos e de artilharia aparentemente em preparação para uma ofensiva terrestre.

Na mesma região existem cerca de 400 mil civis, que precisam de comida, água e remédios. A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse que, em apenas três dias, 13 hospitais e instalações de saúde foram afetados, danificados ou destruídos. Além disso, o MSF também enfatizou que “as estruturas apoiadas pela organização concluíram completamente os estoques de bolsas de sangue intravenosa, anestésicos e antibióticos, fundamentais para as principais intervenções cirúrgicas”.

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