‘Lula está na consciência da América Latina e da Europa’, diz líder do Podemos

Juan Carlos Monedero, fundador do partido de esquerda espanhol, visitou Lula em Curitiba. Segundo ele, ninguém que defende o estado de direito na Europa respeita o juiz Sérgio Moro

“Necessitamos, os setores progressistas da Europa e América Latina, nos unir", defendeu Monedero

“Necessitamos, os setores progressistas da Europa e América Latina, nos unir”, defendeu Monedero

RBA

Fundador do partido espanhol Podemos, o cientista político Juan Carlos Monedero visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde de hoje (22), em Curitiba. “Da Espanha, do Podemos, queria dizer-lhe (a Lula) que esse cárcere é o que teria prendido (Nelson) Mandela ou (Antonio) Gramsci. Concordamos com esses grandes homens, mas não concordamos com os carcereiros. Portanto, vamos recordar constantemente o que significam”, disse. O ex-candidato petista à presidência da República, Fernando Haddad, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também falaram à imprensa na capital paranaense.

Segundo Monedero, “Lula está na consciência da América Latina e dos democratas da Europa. Compartilhei com ele a alegria que vimos na Argentina no encontro do Clacso, onde vi 40 mil pessoas chorando, gritando ‘Lula Livre’. A democracia no Brasil se chama Lula.” Foi uma referência ao 1º Fórum Mundial do Pensamento Crítico, promovido pelo Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), realizado esta semana em Buenos Aires.

Ele criticou o presidente brasileiro eleito em 28 de outubro e seu futuro ministro da Justiça. “Ninguém que defende a democracia na Europa pensa que Bolsonaro é um democrata, pelo contrário. Ninguém que defende o estado de direito na Europa aponta o juiz Moro com respeito.” A percepção é clara de que o magistrado responsável pela Lava Jato foi “recompensado por haver encarcerado um homem justo e bom”.

O espanhol se declarou triste ao chegar à Polícia Federal em Curitiba, mas disse ter saído feliz do encontro, por ter visto “um presidente que não vai se deixar dobrar e que, em sua expressão, me disse: ‘estou em um cárcere de merda, mas meus pensamentos não estão sujos, mas limpos’”. Na opinião de Monedero, “Lula sabe que na América Latina os melhores, que lutam pela democracia, são encarcerados”.

Eles conversaram sobre a necessidade de os movimentos e partidos progressistas do mundo estarem unidos na luta contra o crescimento da direita. Monedero afirmou que transmitirá ao líder do Podemos, Pablo Iglesias, o recado de Lula sobre o assunto.

“Necessitamos, os setores progressistas da Europa e América Latina, nos unir. Há uma mensagem (de Lula) por unidade, de que temos que dar-nos conta de que a direita está caminhando por lugares contrários à democracia e não podemos estar desunidos, mas perto uns dos outros.” Segundo ele, o compromisso e os laços entre o Podemos e Lula estão mais fortes.

Haddad lembrou que, na semana que vem, vai aos Estados Unidos para participar de reunião de fundação da “Internacional Progressista”, liderada pelo senador norte-americano Bernie Sanders, do Partido Democrata.

A preocupação, disse o ex-prefeito paulistano, é “frear o obscurantismo no mundo, que prejudica direitos conquistados por muitas jornadas de luta por direitos políticos, civis e sociais, sobretudo depois da segunda guerra mundial”.

Ele lembrou também que, no Brasil, junto com o PT, está propondo duas frentes de atuação parlamentar em defesa de direitos civis e sociais. Haddad negou que, no movimento de oposição ao governo de Jair Bolsonaro, o PT pretende ter a hegemonia de eventuais frentes que venham a ser construídas. “O PT não tem hegemonia, tem a importância que tem e vai agir de acordo com essa importância. Não nos consideramos melhores do que ninguém, sabemos do nosso tamanho e importância e respeitamos as outras agremiações que respeitam direitos sociais e civis.”

No mundo

No âmbito internacional, disse o petista, sobretudo na Europa, Modenero pode ajudar a articular partidos, organizações e movimentos populares que estejam de acordo com as premissas de defesa de direitos e da democracia e contra o crescimento do “obscurantismo”. Segundo ele, Lula está bem. “Mas ninguém passa incólume por 230 dias (na prisão), é penoso para qualquer pessoa, para ele também”, ressalvou Haddad.

Gleisi Hoffmann destacou que Haddad terá importância “fundamental” para “levar a voz de mais de 47 milhões de brasileiros” que votaram no petista no segundo turno. A expectativa da senadora é de que esse número “só vai aumentar”.

“A decepção com o governo Bolsonaro vai acontecer. Temos que fazer essa resistência, interna e externamente”, afirmou. Segundo ela, Haddad inicia na semana que vem “uma grande caminhada externa”, para conversar com lideranças da política internacional e “dizer ao mundo o que está acontecendo no Brasil”.

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